Caminhar por trilhas naturais, desfrutando do contato com a natureza e, ainda por cima, cercado de belas paisagens em locais pouco conhecidos. Quem pratica o trekking ou Caminhada, tem essa oportunidade, e esse é sem dúvidas o principal motivo que faz do esporte um dos que mais cresce.
Os praticantes da modalidade aliam o prazer em contemplar a natureza com os benefícios da atividade física, tentando fugir do stress do dia-a-dia. Os percursos podem ser curtos ou longos, importando apenas o prazer em caminhar.
Jones Pinheiro
2º Vice Presidente do Instituto Histórico e Geográfico.
UMA TRILHA COM DESTINO AO ENGENHO GALILÉIA.
CONHECENDO A HISTÓRIA DA LIGA CAMPONESA.
As ligas camponesas constituíam uma entidade que organizava os camponeses em torno da luta pela reforma agrária, em solo pernambucano. Uma das grandes lideranças da liga foi:

O ponto de encontro foi no Instituto Histórico e Geográfico.
Jovens voluntários como Dejone e Jones Júnior, se disponibilizaram a realizar a trilha em busca de conhecimento sobre a liga camponesa no Engenho Galilélia, acompanhados do Diretor de Relações Públicas do Instituto Histórico e Geográfico Gilberto Lourena e Jones Pinheiro 2º Vice-Presidente do Instituto Histórico.
BR - 232. Destino: Engenho Galilélia.
Foi o movimento mais importante pela reforma agrária no Brasil até o golpe de 64. Sua origem remonta às antigas Ligas Camponesas da década de 1930, originárias da ação do Partido Comunista do Brasil no campo. Com a volta do PCB à legalidade em 1945, as Ligas Camponesas foram extintas, sobrevivendo algumas, mas sem grande influência no campo.
BR - 232. Destino: Engenho Galiléia.
O movimento que se tornou nacionalmente conhecido como Ligas Camponesas iniciou-se, de fato, no engenho Galiléia, em Vitória de Santo Antão, nos limites da região do Agreste com a Zona da Mata de Pernambuco.As Ligas tinham suas origens na luta dos foreiros do Engenho Galiléia, em Vitória de Santo Antão, na Zona da Mata de Pernambuco. Foi lá que a primeira Liga foi criada, em 1955.
A propriedade congregava 140 famílias de foreiros nos quinhentos hectares de terra do engenho que estava de "fogo morto".Vista Panorâmica do Engenho Bento Velho.
O movimento foi criado no dia 1º. de janeiro de 1955 e autodenominou-se Sociedade Agrícola e Pecuária de Plantadores de Pernambuco (SAPPP).
O objetivo do grupo era gerar recursos comuns para a assistência educacional e de saúde, e para comprar adubos, com a finalidade de melhorar a produção.
BR - 232
A criação da Liga de Galiléia provocou a reação do filho do proprietário do engenho, temeroso, como era natural, de que a consolidação de um núcleo de produção camponesa pudesse sustar a utilização mais rentável da pecuária nas terras esgotadas do engenho. Nesta e em outras propriedades, para deslocar a mão-de-obra já sem utilidade imediata, e para tornar a terra mais lucrativa, lançou-se mão então do aumento generalizado no preço do foro, o que teve como conseqüência imediata a luta comum contra o aumento da renda da terra e contra as ameaças mais diretas de expulsão.
Engenho Bento Velho.
O movimento de Galiléia recebu influência dos antigos núcleos, geograficamente próximos, sobretudo através de José dos Prazeres, dirigente da antiga Liga de Iputinga, nos arredores de Recife.
Conheça você também este Engenho Bento Velho.
Para defendê-los na Justiça, os representantes da SAPPP procuraram Francisco Julião Arruda de Paula, advogado em Recife, que se havia notabilizado por uma original declaração de princípios em defesa dos trabalhadores rurais, a "Carta aos foreiros de Pernambuco", de 1945.
Gilberto Lourena.
Nesse mesmo período, numerosos núcleos das Ligas foram criados em Pernambuco. Até 1961, 25 núcleos foram instalados no estado, com predominância visível da Zona da Mata e do Agreste sobre o Sertão. Dentre esses núcleos destacavam-se os de Pau d'Alho, São Lourenço da Mata, Escada, Goiana e Vitória de Santo Antão.
Jones Júnior e Dejone em busca da História sobre
a LIGA CAMPONESA em Galiléia.
A partir de 1959 as Ligas Camponesas se expandiram também rapidamente em outros estados, como a Paraíba, estado do Rio (Campos) e Paraná, aumentando o impacto político do movimento.
Engenho Bento Velho
Chegando próximo ao Engenho Galiléia.
Cabe destacar no movimento a importância das lideranças intermediárias, que constituíram o seu cerne. Em Galiléia, Zezé da Galiléia, João Virgínio e José Francisco.
Tinham em geral um nível educacional mínimo, eram pequenos proprietários ou exerciam, intermitentemente ou não, atividades artesanais, o que lhes permitia a autonomia de ação indispensável ao exercício da própria liderança.
Um Marco centenário da Palmeira Imperial.
Palmeira Imperial.
Estradada de barro, um caminho que leva à História.
Terras do Engenho Galiléia, um lugar bucólico, merece um descanso.
No plano nacional o maior destaque coube à liderança de Francisco Julião, que aglutinou o movimento em torno de seu nome e de sua figura, reunindo estudantes, idealistas, visionários, alguns intelectuais, além de nomes como os de Clodomir de Morais, advogado, deputado, ex-militante comunista e um dos organizadores de um malogrado movimento de guerrilha sediado em Dianópolis, em Goiás (1963).
Julião foi eleito deputado federal por Pernambuco, após ter sido deputado estadual naquele mesmo estado. Foi nesse momento que as Ligas Camponesas chegaram ao ápice de seu prestígio político.
De fato, a Revolução Cubana alertou os políticos e a opinião pública dos EUA para os perigos de outros focos revolucionários semelhantes, e o temor recaiu sobre o Nordeste brasileiro, a mais extensa e povoada zona de pobreza do mundo ocidental.
O movimento teve como ponto de partida o Engenho Galiléia, 1955, e espalhou-se depois por todo o Brasil.
Julião preocupava-se em incorporar os camponeses ao processo de desenvolvimento da democracia brasileira. Os primeiros sindicatos foram organizados pelas Ligas, e Francisco Julião preparou diversos processos, possibilitando a fundação de inúmeros sindicatos em toda a zona canavieira.
Ao som das água de Galileia.
Produção de bananas. Engenho Galileia.
Engenho Galiléia.
Em 1954 se formou no engenho Galileia, da cidade de Vitória de Santo Antão, a Sociedade Agrícola e Pecuária de Plantadores de Pernambuco (SAPPP), com três fins específicos: auxiliar os camponeses com despesas funerárias — evitando que os camponeses falecidos fossem literalmente despejados em covas de indigentes ("caixão emprestado"); fornecer assistência médica, jurídica e educação aos camponeses; e formar uma cooperativa de crédito capaz de livrar aos poucos o camponês do domínio do latifundiário.
Terras de Galileia
No engenho Galileia trabalhavam cerca de 140 famílias de camponeses em regime de foro: em troca de cultivar a terra, deviam pagar uma quantidade fixa em espécie ao proprietário da terra. É importante frisar que esse engenho já se encontrava em "fogo morto", ou seja, inadequado para plantio de cana-de-açucar.
Terras de Galiléia.
A SAPPP até recebera apoio, no começo, do proprietário do Galiléia, sendo chamado para a assumir um cargo de honra dentro do movimento, mas com outro proprietários da região o advertiu que tal movimento teria fins comunista e poderia ser perigoso.
Terras de Galileia.O proprietário do engenho ordena que o movimento seja desfeito imediatamente, ameaçando os foreiros de expulsão e até de aumentar o valor do foro.
Os camponeses decidem resistir, mas sabem que permanecendo isolados no campo não conseguiram resistir por muito tempo.
Resolvem então buscar o apoio na cidade, encontrando na figura do deputado Francisco Julião o apoio e o respaldo jurídico que tanto precisavam.

Gilberto nas proximidades da associação.
Francisco Julião (que já havia se pronunciado a favor dos camponeses), institucionalizaram a associação. No dia 1 de janeiro de 1955 a SAPPP passou a funcionar legalmente.
A chegada.
A imprensa conservadora rapidamente chamou a SAPPP de "liga", em associação aos movimentos da década de 1940. Em 1959 a SAPPP conseguiu a desapropriação do engenho.
Tudo é registrado.
Enquanto isso, o movimento espalhava-se pelo interior do estado, e a vitória dos galileus estimulou bastante as lideranças camponesas a sonhar com uma reforma agrária.
Chegada
No início da década de 1960, as ligas já se espalhavam por 13 estados brasileiros, atingindo repercussão nacional e internacional.
A espontaneidade dos jovens voluntários em registrar todos os momentos.
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Chegada na casa de Zito da Galileia.
Jones Júnior ao lado de um ex-integrante da liga camponesa.
Uma pequena praça.
Gerador de Energia, doado por Robert Kennedy, na década de 50, em visita ao Engenho.
Jones Júnior ao lado de "José dos Prazeres".Dirigente da antiga Liga de Iputinga
Jones e "José dos Prazeres".
A modesta Biblioteca.
Marco da Liga Camponesa.
A televisão e a imprensa, em diversos países do mundo, transformaram Julião e as Ligas em símbolo do Terceiro Mundo emergente.
O Marco.
Nessa época, as aproximações de Julião com Cuba foram notórias, especialmente após viagem que realizou àquele país em 1960, acompanhando Jânio Quadros, e em 1961, seguido por uma centena de militantes.

De volta pra casa.
Porém, a instalação do regime ditatorial em 1964 acabou com o sonho camponês, pois as principais lideranças das ligas foram presas e o movimento ferozmente perseguido. De certa maneira, pode-se considerar o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) como o sucessor das ligas camponesas.
Sol muito forte.
Uma breve paradinha para relaxar.
Gilberto Lourena
Nosso guia, Gilberto Lourena.
Um salto
ENGENHO GALILÉIA
As Ligas Camponesas foram como que um grito de alerta e de protesto que atraiu para Pernambuco a atenção do mundo.
Próxima trilha, engenho Tapacurá.
Espero que você tenha gostado. Obrigado.
Para contato: jonespinheiro@hotmail.com
Fontes:
http://www.direitos.org.br
http://www.cedap.org.br
http://www.colegiosaofrancisco.com.br